Linfedema

Linfedema de Membros Inferiores



Após a cirurgia, os pacientes evoluem, normalmente, com certo grau de edema, pois a capacidade de absorção do excesso de líquido fica reduzida. O inchaço ocorrido até os primeiros seis meses após a cirurgia é considerado como uma edema agudo, considerando que este não é considerado linfedema (edema crônico).

O que é linfedema?



Linfedema é um tipo de inchaço (edema) que acomete uma parte do corpo decorrente do acúmulo anormal de líquidos e substâncias, especialmente proteínas, nos tecidos, resultante do fraco funcionamento do sistema linfático de drenagem.

Por que se forma o linfedema?



Decorre de um problema entre o fluxo linfático produzido e a capacidade de transporte. Se os mecanismos de compensação forem insuficientes, o equilíbrio entre a produção e o transporte estará comprometido; assim se a produção normal de linfa for maior que a capacidade de transporte, o linfedema aparecerá.


A principal causa do linfedema pós-cirurgia para o tratamento do câncer é a retirada dos linfonodos( gânglios); alguns fatores como a como a idade, o índice de massa corporal (IMC), a radioterapia, as complicações pós-operatórias, a infecção ,o nível da radicalidade da técnica cirúrgica são considerados fatores desencadeantes ou agravantes do linfedema. Isso vale para os membros inferiores, cirurgias pélvicas e/ou ginecológicas que exigem a retirada dos linfonodos pélvicos e/ou paraaóticos (da virilha e do abdome), podem levar ao linfedema nas pernas.

O diagnóstico da doença é basicamente clínico e os estudos de imagens, como tomografia e linfocintilografia, têm como objetivo confirmar a suspeita diagnóstica, detectar locais de má formação linfática, neoplasia e excluir outras causas de aumento do volume do membro.

Tratamento



A forma de tratamento com os resultados mais consistentes para a maior parte dos pacientes com linfedema dos membros é a Terapia Física Complexa (TFC) ou CPT- Complex Physical Therapy ou Linfoterapia e suas variantes.

Terapia Física Complexa



A TFC é uma tétrade composta por drenagem linfática manual, cuidados de pele, compressão ( por enfaixamento ou luvas) e exercícios miolinfocinéticos. Estes quatro componentes devem ser realizados conjuntamente e eventualmente podem sofrer alguma modificação na sua aplicação dependendo do quadro clínico do paciente. Se realizados separadamente o resultado pode mostrar-se ineficaz.

Os resultados da TFC dependem do estágio em que se encontra a doença e de quando se inicia o tratamento.

Os pré-requisitos para o sucesso do tratamento são:
(1) presença de um médico especialista que seja capaz de lidar com as doenças associadas;
(2) um fisioterapeuta especializado nas técnicas específicas para o tratamento destes pacientes;
(3) disponibilidade de material e equipamento adequado para a drenagem linfática, enfaixamento e compressão elástica; e
(4) aderência completa e colaboração do paciente ao tratamento.

Fases do tratamento



O tratamento é dividido em duas fases, sendo que na primeira o objetivo é a redução do volume do membro, tendo a duração de 2 a 8 semanas e a segunda é a fase de manutenção e controle do linfedema.

A drenagem linfática manual é utilizada com o objetivo de melhorar o fluxo linfático, remover o excesso de líquido e ativar os vasos linfaticos. Os movimentos são realizados de forma rítmica e suave e em seguida, as regiões fibrosadas são massageadas com maior pressão para tratar os tecidos mais afetados.

Os cuidados diários com a pele são essenciais. Medidas higiênicas e dietéticas melhoram o aspecto da pele prevenindo infecções bacterianas (as erisipelas) e micoses. Para isso deve-se lavar bem os membros com água e sabão neutro, limpar bem as dobras e pregas cutâneas, hidratar bem a região e manter o peso ideal través de uma dieta balanceada. Outros cuidados como não retirar a cutícula, não expor-se ao sol, evitar banhos quentes e demorados já foram explicados no artigo anterior.

Depois damos sequência ao enfaixamento compressivo. Inicialmente optamos por fazer o enfaixamento compressivo utilizando ataduras inelásticas. O enfaixamento é específico e não pode ser feito por qualquer pessoa. Ele tem um sentido e uma técnica a ser seguida e deve ser iniciado enfaixando-se cada dedo. Geralmente o enfaixamento é trocado de 2 a 3 vezes por semana e mantido por semanas até que note-se a diminuição do linfedema, só então podemos passar para a compressão elástica. Na compressao elástica, utilizam-se luvas ou meias de média ou alta compressão para manter a redução da circunferência do membro após a retirada do enfaixamento. Elas podem ser feitas sob medida ou compradas prontas. Seu fisioterapeuta irá prescrever a mais adequada.

A última fase são os exercícios miolinfocinéticos. Mio= músculos, linfo= sistema linfático e cinéticos= movimento, então nada mais é que a ativação do sistema linfático através de exercícios por movimento. Os exercícios são específicos e diferem de paciente para paciente, não são os mesmo exercícios feitos em academias! Esses exercícios são muito importantes pois a linfa depende exclusivamente dos movimentos dos músculos esqueléticos pra fazer circular o líquido parado e diminuir o inchaço.

Associado a todo esse processo podemos realizar a compressão pneumática intermitente (CPI). A CPI é um aparelho de drenagem linfática mecânica que tem uma luva ou uma bota inflável e através do enchimento e esvaziamento cíclico das câmaras de ar, realiza continuamente a drenagem linfática no paciente.

A TFC é um processo complexo que exige toda a colaboração do paciente em não retirar as bandagens antes do tempo prescrito, realizar os exercícios propostos, não faltar nas sessões, usar as luvas ou meias compressivas quando prescritas, manter o acompanhamento médico e seguir as orientações médicas e fisioterapêuticas. O comprometimento é a chave do sucesso.

Quais são as principais orientações que devo seguir para evitar o linfedema e a erisipela?



Evitar fazer movimentos vigorosos e repetidos com as pernas .

Não usar roupas ou calcinhas apertadas.

Cuidado ao manipular objetos cortantes.

Não tomar injeção ou retirar sangue na perna afetada.

Se ficar internada, não instalar acesso de soro no membro do lado da cirurgia.

Não retirar as cutículas quando fizer a unha, a retirada implica em uma porta de acesso aos microorganismos.

Evitar banhos muito quente.

Evitar saunas e banhos de banheira.

Proteger sempre as pernas do sol.

Realizar exercícios supervisionados.

Sempre que possível repouse e eleve o membro acometido.

Manter o corpo hidratado. Ressecamento e rachaduras na pele são porta de entrada pra microorganismos.

Manter o seu peso ideal através de uma dieta bem balanceada.

Evitar fumar e ingerir álcool.


Compressão pneumática intermitente - botas pneumáticas


Enfaixamento compressivo
 
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