Sarcoma uterino

Origem



Os sarcomas de útero são neoplasias malignas raras e respondem a cerca menos de 5% dos casos de câncer de corpo uterino. Ao contrário dos carcinomas que são originários de um epitélio (camada de células que revestem o tecido), eles são originários de um tecido que dá sustentação e que parecem, por exemplo, o músculo liso (miométrio).

Os sarcomas uterinos podem ser dividos em 4 tipos: carcinossarcomas, leiomiossarcomas, sarcoma de estroma endometrial e adenossarcomas (muito raro).

Carcinossarcomas



Os carcinossarcomas também são conhecidos como Tumores Mullerianos Mistos Malignos. São bastante agressivos e frequentemente apresentam disseminação extra-uterina para linfonodos (gânglios), implantes e até à distância para fígado e pulmões. O tratamento inicial é o mesmo de um câncer de endométrio de alto grau (mais agressivo) com retirada do útero, ovários, trompas, omento e linfonodos. A maioria dos casos têm indicação de quimioterapia e radioterapia no pós-operatório.

Leiomiossarcoma



O leiomiossarcoma é originado na camada muscular do corpo do útero (miométrio). Geralmente apresenta aumento importante do volume uterino e alguns casos dor e sangramento. Porém, dentre as pacientes submetidas a histerectomia (retirada do útero) por aumento do volume uterino, menos que 0,5% são ao final leiomiossarcoma. A maioria é mesmo mioma, ou seja, uma proliferação benigna e muito comum da camada muscular.

Os leiomiossarcomas têm como via preferencial de disseminação a via sanguínea e principalmente para pulmões e fígados. Estes devem então ser avaliados com exame de tomografia computadorizada. A cirurgia básica dos leiomiossarcomas é a retirada do corpo e colo do útero. Em pacientes muito jovens é possível preservar os ovários.

Após a cirurgia há indicação de radioterapia em pelve que tem como objetivo evitar que a doença retorne na pelve. O papel da quimioterapia complementar ainda é controverso (deve ser discutido com oncologista clínico), apesar da maioria das recidivas acontecerem à distância em pulmões e fígado.

Sarcoma de Estroma Endometrial



O sarcoma de estroma endometrial é originado do tecido que dá sustentação (estroma) ao epitélio (camada mais superficial) do endométrio. É mais raro que os leiomiossarcomas e tem geralmente crescimento lento. Apresenta receptor para o estrógeno e progesterona e portanto o tratamento da doença disseminada é feito com bloqueio hormonal. A retirada dos ovários em conjunto com o corpo e colo do útero deve ser realizada. A retirada dos linfonodos deve ser encorajada.



Por Dr Glauco Baiocchi Neto.
 
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